COMO RECONHECER O INDISPENSÁVEL VERSUS O PRESCINDÍVEL NA GESTÃO DO SEU NEGÓCIO PÓS-PANDEMIA

A imprevisibilidade é uma constante enquanto estamos em quarentena. Não temos perspectivas futuras devidamente delineadas porque o ineditismo da situação interfere, inclusive, nas análises preditivas para a tomada de decisão.

Este cenário trará o conceito do ‘pré’ e ‘pós’ coronavírus afetando todas as nossas ocupações sociais – como trabalho e lazer – fazendo-nos lembrar de como a nossa vida era diferente antes da pandemia e nos forçando a buscar respostas de como será a nossa vida daqui para a frente.

Vivemos a dicotomia entre ‘preservar a nossa vida’ – através de lockdowns – ou preservar a nossa ‘sobrevida’ financeira. Segundo Smit et al (2020), na Europa e nos Estados Unidos os lockdowns necessários para controlar o vírus devem levar ao maior declínio trimestral da atividade econômica desde 1933.

Os negócios, em linhas gerais, estão sendo devidamente afetados. Restaurantes e prestação de serviços voltados a viagens, por exemplo, terão sua ‘dinâmica’ pós-pandemia modificada. Além do viés econômico, considerando que nas recessões as pessoas reduzem – por precaução – em torno de 50% dos gastos discricionários (aqueles que podem ser devidamente adiados) e que pode levar a uma redução de aproximadamente 10% no PIB (SMIT et al., 2020), há o viés logístico promovendo alterações dos espaços de convívio para evitar a aglomeração de pessoas. Há de se considerar que nas economias mais avançadas, os gastos dos consumidores representam cerca de dois terços da economia e praticamente metade deste montante é considerado gasto discricionário (SMIT et al., 2020)

E o que nos espera?

Um novo “normal”. Uma provável reestruturação de ordem social e econômica que afetará as nossas relações de consumo e, consequentemente, a forma como fazemos negócios.

Segundo Sneader e Singhal (2020), os cinco estágios que os líderes deverão atentar são (a). resolução, caracterizada pela necessidade de buscar saídas imediatas e necessárias em face da urgência atual; (b). resiliência, movimentos de recuo de curto prazo para sustentar iniciativas para avanço de médio e longo prazos; (c). retorno, necessidade de um plano de ação para a retomada de toda a cadeia produtiva mediante o risco das ressurgências regionais do vírus; (d). reimaginação, para atender às novas preferências e expectativas do consumidor desenvolvendo um ‘olhar’ para as oportunidades; (e). reforma, necessidade de reconfigurar a atividade econômica diante de todas estas mudanças.

Indispensável versus prescindível

A economia mundial da história moderna nunca enfrentou batalha mais difícil. Há um risco iminente de que nossas vidas sofram danos permanentes e irreversíveis.

Diante disso, para a sustentabilidade dos negócios há de se considerar o que será indispensável, ou seja, aquilo que nós não poderemos ‘abrir mão’ daquilo que é prescindível para esta retomada.

Estas medidas visam nos prevenir de possíveis enfrentamentos futuros considerando que ainda não há respostas para a compreensão do comportamento deste vírus, especificamente, bem como de outras circunstâncias como essa que possam vir a acontecer.

Para os negócios, como prescindíveis temos (a). a necessidade de grandes áreas de produção e (b). a condição de uma mão de obra abundante. Menores volumes de investimentos e o avanço tecnológico  – que encurtará as cadeias de produção e substituirá boa parte da mão-de-obra humana – justificam o dispensável.

Em contrapartida, as condições indispensáveis para o negócio são (a). adoção tecnológica, em virtude de uma reestruturação econômico-financeira e, inclusive, social; (b). mão-de-obra especializada, diante da condição de menores contingentes de pessoas nas organizações – em face da tecnologia e da prevenção à contaminações – mas com competências pontuais à necessidade dos negócios; (c). desenvolvimento de competências humanas de alta cognição como criatividade e habilidades sociais, emocionais e tecnológicas, (d). senso de comunidade, porque percebemos que as saídas a estas situações carecem de pessoas e equipes que busquem soluções inovadoras; (e). protocolos comportamentais que reforçam o senso de comunidade considerando que não poderemos mais adotar velhos comportamentos que colocam a vida de um núcleo social em risco.

Líder, e como comunicar a equipe?

A adoção de protocolos comportamentais será um grande desafio por dois motivos. Pessoas negam ou relativizam a gravidade da situação como uma forma de autodefesa e, além disso, os protocolos comportamentais devem respeitar as características regionais.

O vírus não se manifesta de forma igualitária em todos os contextos e, para que sejam aceitos pela população, devem preservar o senso de liberdade e privacidade individuais, além do senso de justiça social.

Que o enfrentamento da crise dependerá das ações de nossos governantes nós não temos dúvidas. Porém, o comportamento de cada um de nós e a responsabilidade social de cada negócio farão a diferença.

A comunicação do líder para que iniciativas como estas sejam validadas é crucial. Entender as peculiaridades do seu time e persuadi-los para a adoção de posturas sustentáveis é papel do líder comprometido com o grupo e o que transcende a ele, que é a causa social. E vejam que oportunidade este contexto traz para o seu exercício de liderança. A comunicação não é prescindível. Ela é indispensável!

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